Desafios das Hidrovias Gaúchas: Navegação Resiste, Mas Falta de Dragagem Limita Potencial Econômico
O sistema hidroviário do Rio Grande do Sul enfrenta um cenário de contrastes, onde a capacidade de transporte se mantém, mas limitações estruturais e a falta de dragagem compromete
02 de julho de 2026, 11:27·Brasil

O sistema hidroviário do Rio Grande do Sul enfrenta um cenário de contrastes, onde a capacidade de transporte se mantém, mas limitações estruturais e a falta de dragagem comprometem seu potencial econômico. Wilen Manteli, presidente da Associação Hidrovias do RS, destaca que, embora o tronco principal que conecta o Porto de Porto Alegre ao Porto de Rio Grande esteja ativo, a navegação ainda requer cautela devido à necessidade de dragagens não realizadas. Os canais de acesso aos terminais industriais, especialmente nas bacias dos rios Jacuí, Taquari, Sinos e Gravataí, são os mais afetados, resultando em embarcações que operam com menos carga. Essa situação impacta diretamente cerca de 15 indústrias da região, incluindo grandes complexos como a Yara e o Polo Petroquímico.
A crise no setor hidroviário não é nova. Apesar de um investimento de R$ 300 milhões anunciado pelo governo para as dragagens, a Associação Hidrovias já clamava por melhorias muito antes das cheias de 2024. Manteli enfatiza que as hidrovias gaúchas foram negligenciadas ao longo dos anos, com a extinção de terminais hidroviários que antes operavam no interior do estado. As enchentes exacerbaram a precariedade técnica dos rios, mas as respostas do governo têm sido lentas, com trechos vitais de acesso relegados a uma lista de prioridades de baixa importância.
O presidente da associação critica a visão do setor hidroviário como o “primo pobre” da infraestrutura, ressaltando sua importância estratégica. Ele argumenta que o investimento adequado poderia transformar a movimentação de cargas na região, destacando que a escolha da CMPC por Barra do Ribeiro para sua nova planta se deu, em parte, pela disponibilidade de transporte fluvial. A falta de dragagem não só limita a capacidade atual, mas também impede o crescimento e a atração de novos investimentos na área, colocando em risco o desenvolvimento econômico do estado.
A perspectiva futura para as hidrovias gaúchas depende de uma mudança na abordagem do governo em relação ao setor. A urgência das dragagens e a revitalização dos terminais são cruciais para garantir que a navegação fluvial possa cumprir seu papel no escoamento de cargas, especialmente em um estado que possui um potencial significativo para a logística e o transporte de mercadorias. Com a pressão crescente por soluções sustentáveis e eficientes, a revitalização das hidrovias pode se tornar uma prioridade não apenas para o transporte, mas também para a sustentabilidade econômica da região.
Resumo baseado em notícia publicada originalmente por Revista Modal.
Ler matéria original em Revista Modal →#Logística#Indústria#Dragagem#Transporte Fluvial#hidrovias#Rio Grande do Sul
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