Concessão da Malha Sul: Codesul alerta para riscos na infraestrutura logística
O Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) manifestou forte oposição ao modelo de concessão da Malha Sul ferroviária proposto pelo governo federal.
29 de julho de 2026, 23:20·Brasil

O Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) expressou sua oposição ao modelo de concessão da Malha Sul ferroviária, proposto pelo governo federal, em uma audiência pública realizada na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). O evento, que contou com a participação de representantes dos estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, destacou preocupações sobre a competitividade econômica da região e os impactos da nova modelagem da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A proposta da ANTT divide a malha ferroviária em três corredores independentes, o que, segundo o Codesul, pode comprometer a sustentabilidade financeira das linhas e prejudicar a integração logística interestadual, especialmente em uma região que é um polo agrícola e industrial do Brasil. O atual contrato de operação ferroviária está previsto para expirar em fevereiro de 2027, e a nova modelagem está sendo discutida em um momento crítico para a infraestrutura logística do Sul do país.
Durante a audiência, Clóvis Magalhães, secretário de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul, criticou a falta de transparência do governo federal no processo de concessão. Ele ressaltou que a modelagem foi elaborada sem a participação efetiva dos estados e sem o acesso adequado aos estudos técnicos e econômicos que fundamentam a proposta. Magalhães enfatizou que o modelo não atende ao interesse público e não respeita o pacto federativo, alertando que a decisão sobre os próximos 30 anos da infraestrutura logística não pode ser tomada de forma apressada.
O Codesul, em sua manifestação, defende uma revisão completa do processo de concessão, com a ampliação do diálogo entre os governos federal e estaduais, maior participação técnica e uma abordagem de rede unificada. Essa mudança é vista como essencial para garantir o crescimento econômico sustentável da região. Os representantes estaduais argumentam que a nova modelagem ignora mercados estratégicos com alta produção agrícola e industrial, especialmente no interior do Rio Grande do Sul, o que poderia reduzir o potencial de geração de cargas e comprometer a viabilidade econômica da ferrovia.
A situação atual levanta questões sobre a adequação do modelo proposto e a necessidade de um planejamento mais integrado que considere as especificidades regionais. A expectativa é que, com a pressão dos estados e a mobilização do Codesul, o governo federal reavalie sua proposta e busque um consenso que beneficie todos os envolvidos na cadeia logística do Sul do Brasil. A continuidade do debate e a transparência nas decisões serão cruciais para o futuro da infraestrutura ferroviária na região e para a competitividade do setor.
Resumo baseado em notícia publicada originalmente por Revista Modal.
Ler matéria original em Revista Modal →#logística#infraestrutura#Ferrovia#ANTT#CODESUL#Malha Sul
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